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Psilídeo: o que é e como combater esse vetor de doenças?

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Folha atacada pelo psilídeo da laranja

O mercado da citricultura movimenta grandes fortunas no mundo todo. A laranja é uma das frutas mais cultivadas, dado o apreço da população pelo suco da fruta. E, para a alegria de nossos citricultores, o Brasil é figura de peso na produção mundial de cítricos. 

No cenário nacional, nosso país é responsável por produzir metade do suco de laranja do mundo, movimentando números entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões anualmente. Desde 1962, quando começaram a acontecer as primeiras exportações brasileiras, o setor gerou inacreditáveis US$ 60 bilhões.

No entanto, um dos problemas que acometem os citricultores de todo o mundo são as pragas. Grandes responsáveis pelos prejuízos dos pomares, elas são capazes de transmitir diversas doenças, podendo levar produtores ao fracasso.

É o caso dos psilídeos, por exemplo. Você sabe o que é? Quais prejuízos eles podem trazer ao seu pomar? E mais: você sabe como combatê-los? Preparamos este post com essas e outras informações. Ficou interessado? Confira!

O que é um psilídeo?

Psilídeo é o nome dado às espécies de insetos pertencentes à família Psyllidae. Ele se apresenta em um tamanho bastante pequeno, medindo cerca de 2 milímetros de comprimento (com pouca variação para mais) e conta com algumas particularidades.

Estruturalmente, o inseto apresenta 3 ocelos, um tipo de olho comum em alguns insetos, hidromedusas e platelmintos; além disso, conta antenas consideradas bem desenvolvidas (de 10 segmentos), além de rostro curto. Em um primeiro momento, sua aparência lembra bastante a de uma cigarra, porém em um tamanho muito menor.

Suas pernas têm um formato que possibilita o salto, mas trata-se também de um inseto com asas — 4, especificamente. Membranosas, elas eliminam uma espécie de substância açucarada capaz de atrair formigas. Além disso, os psilídeos são ovíparos, isto é, se reproduzem por meio de ovos, que podem chegar a 800 por postura. 

Com relação à cor, há variação de acordo com a espécie de psilídeo, sendo os mais comuns aqueles que atacam os citros e os de ataque às goiabeiras.

A transmissão de doenças

Há dois tipos de problemas que os psilídeos podem causar: deformidades e doenças, sendo essa última a mais prejudicial. Por se alimentar da seiva das plantas, o inseto pode acabar causando deformações no limbo foliar e, eventualmente, causar galhas às folhas. Pelo mesmo motivo, os psilídeos podem ser vetores de doenças bastante perigosas.

Psilídeo da goiabeira

Fonte: Agrolink.

De nome Triozoida limbata, esse psilídeo é o responsável por muitos prejuízos nos pomares de goiaba. Como o inseto se alimenta da seiva das folhas, as toxinas que são liberadas nesse processo possuem ação tóxica à planta. O que acontece como reflexo é o enrolamento dos bordos do limbo foliar, onde é possível encontrar colônias de ninfas em seu interior. Em seguida, as folhas tendem a amarelar e necrosar. É comum que elas caiam e isso acaba prejudicando a produtividade do pomar. 

Psilídeo dos citros

Fonte: Fundecitrus.

A doença mais famosa da qual um psilídeo pode ser vetor, sem dúvidas, é o Greening. O psilídeo Diaphorina citri é o grande transmissor das bactérias do gênero Candidatus Liberacter, causando inúmeros prejuízos em pomares de todo o mundo. A doença, que definha as plantas até que parem de produzir frutos, é o problema que mais acomete o setor de citricultura.

O que você precisa saber sobre o psilídeo Diaphorina citri

O psilídeo vetor do Greening possui algumas características que facilitam a sua identificação no pomar. Medindo entre 2 e 3 milímetros, sua aparência se diferente quanto ao psilídeo da goiabeira. 

Com coloração marrom claro quando trata-se de um psilídeo jovem, e manchas escuras quando se encontra mais velho, é comum um aspecto branco pulverulento sobre seu corpo. Suas asas são transparentes, sendo as anteriores com manchas escuras de formato irregular.

Um fato que costuma ser curioso a respeito dessa espécie de psilídeo é o seu posicionamento sobre a planta. Normalmente, o inseto pousa com a cabeça quase encostada na superfície da folha, com o corpo formando um ângulo de 45º.

Os ovos desse psilídeo medem por volta de 0,3 milímetros de comprimento e são de cor amarela. Próximo da eclosão das ninfas, a coloração tende a mudar para tons mais alaranjados.

Comuns de serem encontrados em brotações — pois têm preferência por brotos para sua alimentação — estima-se que apenas 15 minutos de sucção da seiva já sejam suficientes para que a praga contraia a bactéria Candidatus Liberacter ou infecte a planta com ela.

Quando o psilídeo contamina a árvore, a bactéria segue pelos vasos dos floemas e constituem colônias pelos caminhos. Isso faz com que as plantas não se alimentem corretamente, já que os vasos ficam obstruídos. Assim, há o definhamento da planta e, consequentemente, a queda dos frutos e a diminuição da produtividade.

Como combater esse vetor?

Já que o vetor Diaphorina citri é tão prejudicial, como combatê-lo? Algumas medidas são comumente utilizadas pelos citricultores como forma de evitar a contaminação dos pomares. 

Controlando o vetor

Atualmente, uma prática ainda muito adotada é o controle químico do vetor. Com inseticidas, a pulverização sobre o pomar é recomendada como ferramenta no manejo do Greening. Para pulverizar, é necessário escolher um produto que faça parte da Lista PIC (Produção Integrada de Citros), que regula e delimita os defensivos que se encontram em conformidade com a legislação internacional.

Para plantas entre 0 e 3 anos de idade, recomenda-se a combinação dos inseticidas sistêmico e foliar. No caso do sistêmico, de 3 a 4 vezes por ano. Já o foliar, é bom que se aplique em um intervalo de 7 a 14 dias durante o ano todo.

A partir do 3º ano, é possível realizar apenas a aplicação do inseticida foliar, com um intervalo de 14 a 28 dias entre uma dose e outra.

Além disso, é importante sempre ficar olho. A inspeção regular dos pomares, por especialistas no assunto, também é uma prática muito realizada e que permite a identificação precoce de psilídeos. 

Cuidando das faixas de borda

As faixas de borda, regiões que ficam na periferia das propriedades, são locais de importância na contaminação do Greening. Isso porque é comum a migração de psilídeos entre uma propriedade e outra, sendo esses espaços os primeiros onde o vetor pousa.

Dessa forma, recomenda-se um manejo cuidadoso da doença nesses pontos. O indicado é intensificar a inspeção periódica e dar mais atenção à pulverização das plantas que se encontram na periferia da propriedade.

Além disso, também é indicado que se refaça o plantio de plantas eliminadas nessa região. Isso porque a faixa de borda atua, muitas vezes, como uma barreira que dificulta os psilídeos de avançarem pomar adentro, permitindo a identificação da praga antes que ela possa se alastrar. Dessa forma, é interessante manter o pomar sempre denso e sem lacunas no contorno da propriedade.

Agora que você já sabe mais sobre o psilídeo, suas características e sua ação nos pomares, que tal conferir o conteúdo que preparamos sobre o que há de mais recente para o manejo do Greening? Veja!

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